segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tenho a língua gretada,
Não consigo dizer-te o que sinto.
Tenho a traqueia celada,
Correntes e medo e zinco.

Tenho o coração infectado,
A válvula subnutrida.
Não consigo bombear verdade,
Não consigo explicar a mentira.

Minhas mãos queimadas no inferno,
Não conseguem a tua pele beijar.
O nariz gelado de inverno,
Caiu da lepra lutar.

Joelhos quebrados que sangram,
De quem a Deus suplicou.
De novo o bem que nos cantam,
Bem este que alguém roubou.

Olhos submersos em veneno de ratos,
Que com intenção entornei.
Não quero ver-te em laços,
Com quem eu nunca amei.

Tenho o corpo em pedaços,
Cada ser me devorou o fim.
Têm na pele os meus traços,
Seus lábios cheiram a mim.

2 comentários:

Cris disse...

"Tormenta"...?

Anónimo disse...

Devaneio da minha alma (?)