domingo, 3 de maio de 2009

A Menina de olhar avelã

A história tem um início muito bonito. Um sonho …

Um sonho conservado no seio da infância, um desejo fértil.

Esta determinação conservou-se na consciência até à idade madura.

Queria albergar no seu ventre, o fruto do seu amor.

Amor materno, insubstituível.

Desta esperança de vida, nasceu uma menina.

Frágil como um cubo de areia, palma da mão a rodeava de protecção.

Os seus cabelos inspiravam a noite, nevada pele de macia textura.

A menina foi crescendo, contrariando todos os desejos.

Deixou a fragilidade com a qual nascera e começou a lutar com as suas próprias convicções.
Deixou de ser a pérola que corre o risco de se perder quando a concha abre a sua mandíbula.
A menina tornou-se como a mãe.

Cada traço da sua face, cada sinal que desenha o seu corpo como um mapa intersticial, cada artéria, cada ventrículo, cada nefrónio. Cada tecido que a constitui só se parece como tal porque durante oito meses a tinham guardado o mais perto possível.

As lágrimas que vertem alegria contêm sal.

Sal esse, que só existe porque, unida pelo cordão, a menina germinou da cultura materna.

Mesmo estando fora do seu organismo, continuou ligada à mãe indefinidamente.
Viver, é arriscado para quem não se preparou.

A menina nunca poderia ver a vida como um perigo, visto ter recebido o melhor dos ensinamentos.

Considerava-a assim ,uma bênção.

A menina tornou-se poetiza.

Pintava palavras pelos cantos do mundo, escrevia sorrisos onde eles pareciam padecer e apagava o sofrimento daqueles que não o mereciam.

A menina nasceu, cresceu e um dia morrerá. Contudo, ela confidenciou-me de que, quando isso acontecer, leva consigo a maior das experiências.



A Menina, AMOU A MÃE INCONDICIONALMENTE.


Apesar de já não ser uma menina, ela sabe qual é o seu futuro. E a mãe? Essa continuará sempre na primeira fila do seu coração.

4 comentários:

Anónimo disse...

Mesmo muito bom ate fiquei "coiso":)


ass:Gonçalo

Anónimo disse...

Muito obrigada por todo o teu apoio. Vejo que pensamos da mesma forma, o que é bom... não me sinto estranha.

Todos os meus pequenos textos foram escritos numa altura um pouco má, daí tanto pessimismo. Mas, graças a Deus, esta noite mudou-me.
Estou feliz e aposto que os meus próximos posts demonstrarão um outro lado meu mais positivo :)

tiaguinho disse...

escreves muito bem maninha ;)
adoro-te :D

Anónimo disse...

Olá Mariana, tu és a pérola, eu simplesmente a concha que só tem valor enquanto serve para ajudar a pérola a crescer. A pérola cresceu linda e perfeita e está pronta para abrilhantar e enriquecer este mundo tão pobre em valores como a amizade, entreajuda, amor, honestidade, companheirismo e muitos mais haveria para enumerar. Só quero que sejas muito Feliz. A mãe que te adora