Levantei o nariz e olhei para o céu vezes sem conta.
Estava azul, distante, inatingível, como sempre fora.
No banco de branca e fina textura, tal como a minha pele, tentava contrariar esta realidade. Se assim lhe posso chamar.
A realidade tornara-se ali um simples artefacto, sem qualquer relevância para o que sentia. Podia ser simplesmente uma ilusão criada pela minha mente, embebida em desilusões e passagens rotineiras pela vida.
Decifrar as tuas feições, faria com que os teus sentimentos fluíssem pelo ar e me atingissem.
Aí, talvez o formigueiro se tornasse doce como um toque, talvez beijasses a minha alma de imaginação.
Girariam em meu redor, correntes de macia frescura. Delineariam os meus cabelos negros de mistério, e talvez aí eu SENTISSE!
Foi nesta expectativa, de descobrir o que realmente a "sensação" provocava em mim, que senti o teu olhar cego de cor, dirigido à minha mente.
Eram verdes. Verdes eles, fizeram meu sangue fervilhar verde também.
Senti algo já há muito esquecido.
Um aperto no estômago, como se o vómito trouxesse luxúria, prazer.
A vontade exuberante de poder aproximar-me e vê-los fixos nos meus em todo o percurso, saciava tudo o resto.
Porque me olhavas com aquela intensidade?
Denominar o sentimento era a última coisa a fazer. Estava a senti-lo!
O olhar que nunca esqueci. Emanavas encanto.
1 comentário:
Palavras para quê?
Simplesmente fenomenal como sempre. Apenas desejo ler o próximo capítulo
Excelente trabalho!
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