Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

(Aceito propostas para o título)

Tenho a língua gretada,

Não consigo dizer-te o que sinto.

Tenho a traqueia celada,

Correntes e medo e zinco.


Tenho o coração infectado,

A válvula subnutrida.

Não consigo bombear verdade,

Não consigo explicar a mentira.

Minhas mãos queimadas no inferno,

Não conseguem a tua pele beijar.


O nariz gelado de inverno,

Caiu da lepra lutar.

Joelhos quebrados que sangram,

De quem a Deus suplicou.

De novo o bem que nos cantam,

Bem este que alguém roubou.


Olhos submersos em veneno de ratos,

Que com intenção enternei.

Não quero ver-te em laços,

Com quem eu nunca amei.


Tenho o corpo em pedaços,

Cada ser me devorou o fim.

Têm na pele os meus traços,

Seus lábios cheiram a mim.

Sábado, 31 de Julho de 2010

O efeito Da'dor

Aquela rapariga! Ali no canto, vês?

Vês como está triste?

Vês como não tem força para se colocar sobre os pés e caminhar?

Vês como não come? Não ri? Não respira?

É verdade, ela está morta.

Se a dissecasses não verias mais do que um ruído oco.

Um corpo completamente desprovido de vitalidade.

Conhece-la?

Aquela rapariga sou eu.

Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Experiências

Estava ali sentada, sobre o banco frio e sujo de metal. De costas nuas e lágrimas nos olhos, estrangulava o lenço que mantinha húmido entre os dentes. Negras curvas e rastos de pele ensanguentada, cravavam o meu exterior fresco e vazio.
Ele, não era nada atraente. Tinha o corpo manchado de recordações, uma barba enrodilhada de pêlos ruivos. Mas não era isso que o tornava tão assustador. Um dos olhos, era de tal maneira desproporcional, que quase conseguia ver a minha alma, como se dum espelho se tratasse.
Eu, concentrada em suster a dor bem longe da realidade; ele, concentrado em tornar aquela marca em mais do que um sinal; tu, concentrada em encontrar o caminho até ao balcão.
A campainha suou e todos os olhares se voltaram para o teu rosto. Era vulgar, limpo e estranhamente caricato. Sorriste de forma aliviada, enquanto professavas as palavras “Bom dia, estou preparada”.
Algures na minha mente, não li a expressão no sentido tradicional. Imaginei algo que nunca tinha desenhado antes, na tela dos meus devaneios. Algo, que contrariamente ao teu aspecto, era singular.
Compenetrei-me de tal maneira nas tuas palavras que esqueci a pressão exercida pela agulha que arduamente pintava o meu corpo.
Encaminhada para o outro banco, pouco convidativo, sentaste-te e descobriste a tua coxa, pálida como o Inverno nortenho. Num tom divertido, o outro tatuador sorriu para o ruivo e exclamou: “Parece que hoje tudo optou pelo lado celestial.”.
Nem uma, nem outra, encontrou significado naquela expressão. Talvez não o tenha feito por estar a passar por um momento bastante doloroso. A verdade, é que não procurei uma resposta para esta dúvida, que fluiu poucos segundos depois, como a neve que sublima, mal o calor da manhã nos sorri.
Mal a agulha beijou a sua pele, a rapariga edificou um som, pouco comum aos meus ouvidos, o que me fez dirigir o olhar para o local onde se encontrava.
Em cima da mesa, encontrava-se o retrato que dentro de uns momentos iria surgir através dos seus poros, de modo a ser exibido a todos aqueles que o procurassem.
Um rosto! Mais sublime ainda, o rosto de um anjo. Rosto esse que parecia encaixar-se perfeitamente nas asas que agora esculpiam as minhas costelas.
Lembrei-me do que tinha aprendido nas aulas de Biologia, enquanto ainda era estudante: vasodilatação, erecção dos pêlos e aumento da actividade das estruturas de produção calorífica.
Tudo isto, para explicar o que arrepio que senti, como se me tivesses arranhado o corpo, mais ainda, a mente.

FELIZ ANIVERSÁRIO, NUNO!

Escrever sobre pressão é difícil.

Escrever contrariado é fútil.

Escrever por escrever é inútil.

Escrever sem sentir é mentir com todos os dentes.

Mas, quando escrevemos para alguém de quem gostamos, para lhe demonstrarmos o quanto gostamos dela e a queremos na nossa vida, isso sim, é ESCREVER!

E é isso que eu estou a fazer, ou pelo menos a tentar.

Mostrar-te que és uma pessoa Incrível, repleta de qualidades, mas que não se valoriza o suficiente. Caso contrário, serias uma pessoa muito mais aberta ao mundo e as pessoas que nele habitam. É esse o meu conselho, e sempre será!

És sempre educado quando te diriges a alguém, ajudas sem desejar algo em troca, reflectes bastante sobre os teus defeitos e desventuras, com o objectivo de te tornares melhor de dia para dia.

Mas nem toda a gente é assim, nem toda a gente tem o coração do tamanho do teu, e por isso é que por vezes, sais magoado.

Mas também é para isso que eu cá estou. É para te ver sofrer e te socorrer sem pensar duas vezes.

A verdade, é que a minha vida melhorou, e quando procuro o motivo, algo que nunca estivera lá antes, mas agora está, vejo que és tu.

Não me questionas, não me julgas, não me abandonas.

E eu faço o mesmo contigo! Tento que sejas cada vez melhor, cada vez mais feliz.

Faço tudo para te ver sorrir, porque sei que realmente mereces a minha dedicação.

ÉS RARO! E considera isto como o maior elogio que te podia dirigir!

É por desfrutar das tuas qualidades, conhecer os teus defeitos e saber lidar com todos, que sei que somos e sempre seremos bons amigos.

Mesmo que a vida nos pregue a partida de nos afastar, eu sei que mais cedo ou mais tarde nos haveremos de reencontrar. E aí? A Mariana continuará a ser a Mariana, o Nuno continuará a ser o Nuno. Nada muda quando se gosta de alguém.

Da tua amiga,

Mariana Mendes

Quatro de Novembro de Dois Mil e Nove

III Capítulo

A verdade?
Poderia ter ficado ali, sentada na espectativa.
Horas que tecem um fio, como a aranha que constrói delicadamente o seu lar, mesmo que temporário.
Podia ter esperado, procurando concentração. Melhor ainda! Explicação.
Podia optar por isto, ou mesmo por aquilo.

Mas não.
Temendo futuros e infortunados momentos, levantei-me, recolhi todos os meus poemas e parti.
Curiosa? Muito. Apaixonei-me em poucos segundos por algo que nem sequer conseguia ver.
Tinha os teus olhos penetrados na minha mente.
Talvez fosse isso mesmo. Talvez se a posse da tua imagem fosse imediata, perderia este doce interesse.
Também o que é realmente importante neste momento, é contar-vos que sim, fui-me embora.
Ainda o olhei uma vez, e vi uma expressão completamente diferente. Vi uns olhos vermelhos. De raiva talvez. Talvez fruto da minha mente distorcida.
Durante o percurso, várias vezes ponderei voltar para trás e voltar a sentar-me no meio das folhas secas que o castanheiro vertia.
Mas não! O meu orgulho consumia todas as minhas decisões, e nunca voltava atrás, por ninguém.
Segui o meu rumo, para o lado oposto ao qual te encontravas.
Esperava agora nunca mais te ver, para que a minha consciência não chorasse.

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009


As lágrimas não são tão límpidas como aparentam.
São negras gotas carregadas de ódio. São o manifesto de algo que o mundo não evita, o sofrimento.
A voz carregada de espinhos que a sociedade sementa. Não nos deixam expressar irreverências.
Tudo dói. Tudo mata.
E eu? Continuo igual, mas sem sorrir.

Domingo, 3 de Maio de 2009

A Menina de olhar avelã


A história tem um início muito bonito. Um sonho …

Um sonho conservado no seio da infância, um desejo fértil.

Esta determinação conservou-se na consciência até à idade madura.

Queria albergar no seu ventre, o fruto do seu amor.

Amor materno, insubstituível.

Desta esperança de vida, nasceu uma menina.

Frágil como um cubo de areia, palma da mão a rodeava de protecção.

Os seus cabelos inspiravam a noite, nevada pele de macia textura.

A menina foi crescendo, contrariando todos os desejos.

Deixou a fragilidade com a qual nascera e começou a lutar com as suas próprias convicções.
Deixou de ser a pérola que corre o risco de se perder quando a concha abre a sua mandíbula.
A menina tornou-se como a mãe.

Cada traço da sua face, cada sinal que desenha o seu corpo como um mapa intersticial, cada artéria, cada ventrículo, cada nefrónio. Cada tecido que a constitui só se parece como tal porque durante oito meses a tinham guardado o mais perto possível.

As lágrimas que vertem alegria contêm sal.

Sal esse, que só existe porque, unida pelo cordão, a menina germinou da cultura materna.

Mesmo estando fora do seu organismo, continuou ligada à mãe indefinidamente.
Viver, é arriscado para quem não se preparou.

A menina nunca poderia ver a vida como um perigo, visto ter recebido o melhor dos ensinamentos.

Considerava-a assim ,uma bênção.

A menina tornou-se poetiza.

Pintava palavras pelos cantos do mundo, escrevia sorrisos onde eles pareciam padecer e apagava o sofrimento daqueles que não o mereciam.

A menina nasceu, cresceu e um dia morrerá. Contudo, ela confidenciou-me de que, quando isso acontecer, leva consigo a maior das experiências.



A Menina, AMOU A MÃE INCONDICIONALMENTE.


Apesar de já não ser uma menina, ela sabe qual é o seu futuro. E a mãe? Essa continuará sempre na primeira fila do seu coração.

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Algo que um amigo me escreveu

Meu amor, és forte e vais sair-te bem na vida,
Amo-te muito, e aos meus filhos.
Hoje e amanhã, deixa que cada dia floresça ainda mais.
Continua a sorrir, e nunca desistas,
Mesmo nas piores alturas.
Para terminar, meu amor…
… esta noite, aconchega os meus filhos na cama,
Com carinho.
Diz-lhes que os amo.
Depois abraça-os por mim…
… e dá um beijo a cada um de boa noite…
Pelo Pai…

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

II Capítulo

Levantei o nariz e olhei para o céu vezes sem conta.
Estava azul, distante, inatingível, como sempre fora.
No banco de branca e fina textura, tal como a minha pele, tentava contrariar esta realidade. Se assim lhe posso chamar.
A realidade tornara-se ali um simples artefacto, sem qualquer relevância para o que sentia. Podia ser simplesmente uma ilusão criada pela minha mente, embebida em desilusões e passagens rotineiras pela vida.
Decifrar as tuas feições, faria com que os teus sentimentos fluíssem pelo ar e me atingissem.
Aí, talvez o formigueiro se tornasse doce como um toque, talvez beijasses a minha alma de imaginação.
Girariam em meu redor, correntes de macia frescura. Delineariam os meus cabelos negros de mistério, e talvez aí eu SENTISSE!
Foi nesta expectativa, de descobrir o que realmente a "sensação" provocava em mim, que senti o teu olhar cego de cor, dirigido à minha mente.
Eram verdes. Verdes eles, fizeram meu sangue fervilhar verde também.
Senti algo já há muito esquecido.
Um aperto no estômago, como se o vómito trouxesse luxúria, prazer.
A vontade exuberante de poder aproximar-me e vê-los fixos nos meus em todo o percurso, saciava tudo o resto.
Porque me olhavas com aquela intensidade?
Denominar o sentimento era a última coisa a fazer. Estava a senti-lo!

O olhar que nunca esqueci. Emanavas encanto.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

I capítulo

Sentei-me no banco do jardim central,
A sombra do castanheiro cobria o meu descanso, de pura harmonia.
Olhava em redor, procurando um foco inspirador para desenhar poesia.
Nada parecia iluminar a minha creatividade e lá fiquei horas, a olhar para o vazio.
Talvez se fixasse algo concreto, a visão escurecesse, e desfocada parecia ter sentido.
Sentia-me estonteada! As ideias giravam na minha cabeça, como se estivesse a ser atacada por ilusões.
Finalmente consegui recuperar os sentidos, tudo não passara de um susto.
Mas, havia algo diferente, algo insólito.
A minha visão não voltara ao normal. Olhava-o e apenas o seu olhar luzidia. Todo ele estava pálido, enrugado, sem a forma que era suposto ter.
Porque via tudo o resto com clareza, e me impedia de olhar para ti?